
Por Flavia Biggs, THE BIGGS
Oi gente! to eu aqui denovo, e como de costume, pondo pra fora o que ta martelando aqui na cabeça, e esta coluna ta me saindo um bom divãzinho básico, adorooo!
Talvez alguém se identifique comigo e acabemos por trocar experiências numa terapia de grupo rssrsrs. Bom... como disse na outra coluna além de rockar por ai, sou professora de sociologia e to com uma pedra chata no sapato.
O que passa é que não agüento mais meus alunos me fazendo a seguinte pergunta:
- “Vc é emo professora? E logo na seqüência vem a pergunta vc gosta de NX zero? Fresno?” (urghrr!! e eu respiro pra não baixar o nível da conversa enquanto professora) e digo apenas –“ Não! “(mas cá entre nós, puta merda meu, q porra é essa?).
Nada contra a pessoa que se auto-intitula emo, escolha e identificação que logicamente não me dizem respeito, mas respeito. (rsrs deu pra entender?) Mas bom vamo lá, a questão é : Desde quando meu visual virou emo? E as bandas supracitadas? aiaiai que no meu entender nem de rock são, as quais coloco no mesmo pacote de Polegar e Dominó (lembra? É ou não é?).
Então resolvi aqui dialogar com quem possa interessar sobre este fenômeno midiático "emo".
E para se falar em cultura de massa não tem como dizer nada realmente revelador sem se embasar nos pensadores da escola de Frankfurt. Humm e alguém vai dizer iiii la vem teoria chata...mas se liga só como clarifica as idéias... recorri aqui a Adorno/Horkheimer e estudos/textos sobre a cultura de massa na sociedade.
Então vamo lá, antes de haver cinema, rádio e TV, internet falava-se em cultura popular, (aqui em oposição à cultura erudita das classes aristocráticas), em cultura nacional ( como identidade de um povo) cultura é o conjunto historicamente definido de valores estéticos e morais, que juntas e interagindo, formam identidades diferenciadas de povos e grupos sociais.
“Mas a chegada da cultura de massa, acabou submetendo as demais “culturas” a um projeto comum e homogêneo, ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional, atualmente global, a cultura elaborada pela industria cultural, está sempre ligada ao poder econômico, do capital industrial e financeiro” ( no caso o emo, suas bandas e a midia).
“A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requer a repressão às demais formas de cultura” (punk/hardcore/straightedge/indierocker/seja lá o que for), “de forma que os valores apreciados passam a ser apenas os compartilhados pela massa” , isto é, empurrados guéla abaixo pelos meios de comunicação de massa, tv e rádio principalmente, onde os donos deste meios dizem o que é bom e o povo só diz amém.
“A cultura popular, produzida fora de contextos institucionalizados ou mercantis (no caso as bandas e culturas alternativas subterrâneas), acabam por ser objeto dessa repressão. Justamente por ser anterior, o popular (no sentido de vir legitimamante do povo) é também alternativo à cultura de massa, esta que deve ser hegemônica como condição essencial de manutenção de sua existência."
O que esta análise descortina é como a cultura de massa possuí a capacidade de absorver em si as as críticas e os antagonismos, em vez de combatê-los. "Assim, a cultura de massa alcança a hegemonia, dominando e elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada."
“A cultura popular, em vez de ser recriminada por ser “de mau gosto” ou “de baixa qualidade”, é hoje deixada de lado quando usado o argumento mercadológico do “isto não vende mais” — depois de ser repetida até exaurir-se de qualquer significado ideológico ou político. A “censura”, que antes era externa ao processo de produção dos bens culturais, passa agora a estar no berço dessa produção. A difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ser aceito por outra, devido a midia que exerce papel de porta-voz oficial da indústria cultural transformando todos em consumidores que supostamente são iguais e livres para consumir os produtos que desejarem.” Será?
E o que há de fazer para fugir desta máquina moedora de ideias/pessoas/ações...Aí até da pra entender porque uma mulher de 30 anos é confundida com um produto de massificação chamado emo. Mas e aá? Tem saída? Só me resta lembrar que a sociedade é mutante e que daqui a pouco quando se explorar tudo q se pode, vem uma nova onda e salve–se quem puder! Ou.. quiser, né? Abraço, até mais! pensa comigo.
Oi gente! to eu aqui denovo, e como de costume, pondo pra fora o que ta martelando aqui na cabeça, e esta coluna ta me saindo um bom divãzinho básico, adorooo!
Talvez alguém se identifique comigo e acabemos por trocar experiências numa terapia de grupo rssrsrs. Bom... como disse na outra coluna além de rockar por ai, sou professora de sociologia e to com uma pedra chata no sapato.
O que passa é que não agüento mais meus alunos me fazendo a seguinte pergunta:
- “Vc é emo professora? E logo na seqüência vem a pergunta vc gosta de NX zero? Fresno?” (urghrr!! e eu respiro pra não baixar o nível da conversa enquanto professora) e digo apenas –“ Não! “(mas cá entre nós, puta merda meu, q porra é essa?).
Nada contra a pessoa que se auto-intitula emo, escolha e identificação que logicamente não me dizem respeito, mas respeito. (rsrs deu pra entender?) Mas bom vamo lá, a questão é : Desde quando meu visual virou emo? E as bandas supracitadas? aiaiai que no meu entender nem de rock são, as quais coloco no mesmo pacote de Polegar e Dominó (lembra? É ou não é?).
Então resolvi aqui dialogar com quem possa interessar sobre este fenômeno midiático "emo".
E para se falar em cultura de massa não tem como dizer nada realmente revelador sem se embasar nos pensadores da escola de Frankfurt. Humm e alguém vai dizer iiii la vem teoria chata...mas se liga só como clarifica as idéias... recorri aqui a Adorno/Horkheimer e estudos/textos sobre a cultura de massa na sociedade.
Então vamo lá, antes de haver cinema, rádio e TV, internet falava-se em cultura popular, (aqui em oposição à cultura erudita das classes aristocráticas), em cultura nacional ( como identidade de um povo) cultura é o conjunto historicamente definido de valores estéticos e morais, que juntas e interagindo, formam identidades diferenciadas de povos e grupos sociais.
“Mas a chegada da cultura de massa, acabou submetendo as demais “culturas” a um projeto comum e homogêneo, ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional, atualmente global, a cultura elaborada pela industria cultural, está sempre ligada ao poder econômico, do capital industrial e financeiro” ( no caso o emo, suas bandas e a midia).
“A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requer a repressão às demais formas de cultura” (punk/hardcore/straightedge/indierocker/seja lá o que for), “de forma que os valores apreciados passam a ser apenas os compartilhados pela massa” , isto é, empurrados guéla abaixo pelos meios de comunicação de massa, tv e rádio principalmente, onde os donos deste meios dizem o que é bom e o povo só diz amém.
“A cultura popular, produzida fora de contextos institucionalizados ou mercantis (no caso as bandas e culturas alternativas subterrâneas), acabam por ser objeto dessa repressão. Justamente por ser anterior, o popular (no sentido de vir legitimamante do povo) é também alternativo à cultura de massa, esta que deve ser hegemônica como condição essencial de manutenção de sua existência."
O que esta análise descortina é como a cultura de massa possuí a capacidade de absorver em si as as críticas e os antagonismos, em vez de combatê-los. "Assim, a cultura de massa alcança a hegemonia, dominando e elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada."
“A cultura popular, em vez de ser recriminada por ser “de mau gosto” ou “de baixa qualidade”, é hoje deixada de lado quando usado o argumento mercadológico do “isto não vende mais” — depois de ser repetida até exaurir-se de qualquer significado ideológico ou político. A “censura”, que antes era externa ao processo de produção dos bens culturais, passa agora a estar no berço dessa produção. A difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ser aceito por outra, devido a midia que exerce papel de porta-voz oficial da indústria cultural transformando todos em consumidores que supostamente são iguais e livres para consumir os produtos que desejarem.” Será?
E o que há de fazer para fugir desta máquina moedora de ideias/pessoas/ações...Aí até da pra entender porque uma mulher de 30 anos é confundida com um produto de massificação chamado emo. Mas e aá? Tem saída? Só me resta lembrar que a sociedade é mutante e que daqui a pouco quando se explorar tudo q se pode, vem uma nova onda e salve–se quem puder! Ou.. quiser, né? Abraço, até mais! pensa comigo.
7 comentários:
É mais fácil classificar do que entender. Recentemente comprei um Allstar e resolvi ir trabalhar com ele, pra dar aquela sujada básica (afinal allstar limpo queima o filme..fica parecendo um personagem do Snoopy ...hehehe) e ao pisar no trampo um cara vira pra mim e fala: Onde você vai com esse tênis de emo?!?! Pô...uso Allstar faz mais de 2 décadas...Será que sempre fui emo e não sabia??!?!?! Vai entender...
Abraço.
Já fui confundido com EMO porque...
minha calça estava caindo!!!!(rs)
Porra, todo mundo quer por rótulos em você! Todo mundo quer que você faça parte do "mercado"! Isso é foda...
Mas vamos seguir em frente!
Um beijo!
Super coerente o Texto Flávia!
Resistência sempre!
Me sinto orgulhoso de não fazer parte dessa cultura de massa e por lutar contra essa indústria opressora cujo o objetivo é cegar as pessoas e vender cada vez mais produtos e não arte, informação e música de verdade.
Abraços e continue mandando ver.
Ayuso
Isso aí, Flávia.
Gostei de ver.
Puxa, que legal essa visão tão completa de uma coisa que parece tão corriqueira, haja visto que estamos tão expostos a ter que ouvir essa descarga de músicas EMO/POP/POLEGAR quase todo o tempo.
Parabéns pela coluna. De ótimo gosto.
Abraço.
Flávia como sempre falando tudo o que tá na boca do povo.
Facíl mesmo é falar que essas novas mercadorias são de boa qualidade, quando o produto em si te diz completamente ao contrário.
Bora fazer a galera pensar, e parar com a festa de abertura de malhação, que, por favor, já cansou !
O Flávia, se num acha que talvez o (punk/hardcore/straightedge/indierocker) ao se definirem desse jeito não acabam tentando criar um formatinho pra si mesmos pra se venderem também? Como os emos, só que com menos dinheiro...
ola mauricio. bom vamo lá, penso q as definições são validas e importante pois tentam explicar os complexos fenômenos da vida em sociedade, identificar-se com uma ideologia/movimento e trazer pra si este rotulo é compreensível, desde que seja uma escolha, e não uma imposição/lavagem cerebral/, ai encontra-se a diferença entre cultura de massa e contra cultura não deixando esta ultima de ser uma cultura mas de outro tipo por ser legitima e não imposta pelos meios de comunicação de massa. A questão não é nem querer se vender, mas terceiros venderem vc... o que é bem diferente. abraço. Flavia Biggs
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