sexta-feira, 6 de março de 2009

Emo é a mãe!


Por Flavia Biggs, THE BIGGS

Oi gente! to eu aqui denovo, e como de costume, pondo pra fora o que ta martelando aqui na cabeça, e esta coluna ta me saindo um bom divãzinho básico, adorooo!

Talvez alguém se identifique comigo e acabemos por trocar experiências numa terapia de grupo rssrsrs. Bom... como disse na outra coluna além de rockar por ai, sou professora de sociologia e to com uma pedra chata no sapato.

O que passa é que não agüento mais meus alunos me fazendo a seguinte pergunta:
- “Vc é emo professora? E logo na seqüência vem a pergunta vc gosta de NX zero? Fresno?” (urghrr!! e eu respiro pra não baixar o nível da conversa enquanto professora) e digo apenas –“ Não! “(mas cá entre nós, puta merda meu, q porra é essa?).

Nada contra a pessoa que se auto-intitula emo, escolha e identificação que logicamente não me dizem respeito, mas respeito. (rsrs deu pra entender?) Mas bom vamo lá, a questão é : Desde quando meu visual virou emo? E as bandas supracitadas? aiaiai que no meu entender nem de rock são, as quais coloco no mesmo pacote de Polegar e Dominó (lembra? É ou não é?).
Então resolvi aqui dialogar com quem possa interessar sobre este fenômeno midiático "emo".

E para se falar em cultura de massa não tem como dizer nada realmente revelador sem se embasar nos pensadores da escola de Frankfurt. Humm e alguém vai dizer iiii la vem teoria chata...mas se liga só como clarifica as idéias... recorri aqui a Adorno/Horkheimer e estudos/textos sobre a cultura de massa na sociedade.

Então vamo lá, antes de haver cinema, rádio e TV, internet falava-se em cultura popular, (aqui em oposição à cultura erudita das classes aristocráticas), em cultura nacional ( como identidade de um povo) cultura é o conjunto historicamente definido de valores estéticos e morais, que juntas e interagindo, formam identidades diferenciadas de povos e grupos sociais.

“Mas a chegada da cultura de massa, acabou submetendo as demais “culturas” a um projeto comum e homogêneo, ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional, atualmente global, a cultura elaborada pela industria cultural, está sempre ligada ao poder econômico, do capital industrial e financeiro” ( no caso o emo, suas bandas e a midia).

“A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requer a repressão às demais formas de cultura” (punk/hardcore/straightedge/indierocker/seja lá o que for), “de forma que os valores apreciados passam a ser apenas os compartilhados pela massa” , isto é, empurrados guéla abaixo pelos meios de comunicação de massa, tv e rádio principalmente, onde os donos deste meios dizem o que é bom e o povo só diz amém.

“A cultura popular, produzida fora de contextos institucionalizados ou mercantis (no caso as bandas e culturas alternativas subterrâneas), acabam por ser objeto dessa repressão. Justamente por ser anterior, o popular (no sentido de vir legitimamante do povo) é também alternativo à cultura de massa, esta que deve ser hegemônica como condição essencial de manutenção de sua existência."

O que esta análise descortina é como a cultura de massa possuí a capacidade de absorver em si as as críticas e os antagonismos, em vez de combatê-los. "Assim, a cultura de massa alcança a hegemonia, dominando e elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada."

“A cultura popular, em vez de ser recriminada por ser “de mau gosto” ou “de baixa qualidade”, é hoje deixada de lado quando usado o argumento mercadológico do “isto não vende mais” — depois de ser repetida até exaurir-se de qualquer significado ideológico ou político. A “censura”, que antes era externa ao processo de produção dos bens culturais, passa agora a estar no berço dessa produção. A difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ser aceito por outra, devido a midia que exerce papel de porta-voz oficial da indústria cultural transformando todos em consumidores que supostamente são iguais e livres para consumir os produtos que desejarem.” Será?

E o que há de fazer para fugir desta máquina moedora de ideias/pessoas/ações...Aí até da pra entender porque uma mulher de 30 anos é confundida com um produto de massificação chamado emo. Mas e aá? Tem saída? Só me resta lembrar que a sociedade é mutante e que daqui a pouco quando se explorar tudo q se pode, vem uma nova onda e salve–se quem puder! Ou.. quiser, né? Abraço, até mais! pensa comigo.